Vivemos uma época onde as pessoas primam pela liberdade a todo custo. Dá a entender que os bens materiais, mesmo com sua dada importância em extrema evidência, não superam o bem imaterial da liberdade. Mas afinal, o que é essa tal liberdade? Trata-se de um poder soberano em que o indivíduo pode absolutamente tudo?

A resposta é “NÃO”! Podemos consultar diversos dicionários e achar o significado semântico da palavra liberdade, mas nenhum deles é capaz de limitar a ação humana de colocar a liberdade em prática.

Em contrapartida encontramos o significado semântico da palavra “libertinagem” como insubmissão, indisciplina e, dependendo do contexto, atitudes de liberdade excessiva.

Oras, se libertinagem é um excesso de liberdade e, é sabido que, todo o excesso é prejudicial, por que não nos vigiamos no sentido de limitar a liberdade? Ou até mesmo de procurar a tênue linha que a limita?

Diante desse pensamento quero abordar neste texto o excesso de liberdade, ou a libertinagem, que vemos hoje na comunicação, principalmente na comunicação verbal e escrita dentro do contexto de busca do conhecimento!

Por que trato esse tema neste contexto? Porque, como já observado por alguns educadores, alguns pensadores e por mim, sociologicamente falando, a educação perdeu seu sentido. A busca frenética pelo diploma, e tão somente por ele, demonstra a deturpação total do processo educacional.

Por cultura o brasileiro costuma dizer que somente um diploma o habilita a galgar posições profissionais melhores e de melhor remuneração; só esquecem que o diploma não passa de um pedaço de papel, não carrega conhecimento e não agrega valor a absolutamente nada na execução de qualquer coisa. O que agrega valor é o conhecimento adquirido e absorvido ao longo do processo da busca por esse pedaço de papel.

Nessa senda perdeu-se o valor de muitas coisas, principalmente a primazia pela correta execução do nosso vernáculo!

Oras, se tenho liberdade, sou detentor desse poder imaterial mágico e poderoso, posso dizer qualquer coisa, significar e ressignificar qualquer palavra flexionando sua semântica, não é? Não posso dizer “nóis vai”?

Para justificar o erro essa pessoa mostra “seu conhecimento”, mesmo que raso, falho e de absorção seletiva, dizendo que ouviu um professor, uma vez, não se sabe quando e nem onde, que a língua é viva, ela muda, é plástica tal qual o indivíduo e que o “nóis vai” é permitido e é bonito. Só faltou completar a explicação e dizer que sim, é permitido esse uso em nossa língua, porém no contexto de regionalização, ou seja, não está errado o caipira, o sertanista, ou até mesmo o morador da capital, mas que não teve instrução acadêmica! É inconcebível alguém “diplomado” usar do regionalismo linguístico como regra de execução verbal.

Voltando só um pouquinho a falar sobre o diploma, ouvi de um professor certa vez que o aluno estuda para fazer a prova e não pelo conhecimento, e quando a vida o põe à prova, a solução que ele dá é a busca rápida da solução do problema, ou seja, nem sob pressão consegue colocar em prática a busca do conhecimento. Ouso dizer que se o problema se repetir no futuro, buscará novamente a solução rápida e ignorará a absorção de conhecimento necessário para que a solução venha de dentro pra fora.

Óbvio, não quero aqui dizer que o problema da falta de cultura, conhecimento e sabedoria vem única e exclusivamente do excesso de liberdade, longe disso, mas demonstrar que essa falta de zelo na, até a falta de conhecimento para a, execução correta do nosso vernáculo, suas nuances, flexões, inflexões, tempos etc., nos soa como um alerta, um chamado para que possamos refletir um pouco mais sobre o ato de aprender ou de pura e simplesmente buscar um diploma.

E para finalizar, cabe aqui deixar outra provocação: como que as pessoas que, pelo menos dizem que, buscam conhecimento, mas desconhecem a própria língua, são capazes de achar e absorver o conhecimento já registrado? Sabendo que o que nos difere, basicamente, dos animais ditos irracionais é a capacidade de acumular e disseminar conhecimento através da língua escrita e falada, ou seja, o mínimo que devem ter esses indivíduos que querem buscar conhecimento é o conhecimento da própria língua; e para isso há regras a seguir, a língua portuguesa não se permite ser tratada com libertinagem quando o assunto é tão sério como esse.

Espero que tenha gostado desse texto e que continue a visitar meu Blog. Obrigado!

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